Quando é Necessário Colocar um Dreno em Cirurgias Veterinárias?

Na medicina veterinária, a decisão de inserir um dreno durante ou após um procedimento cirúrgico não é tomada de forma arbitrária. O uso de drenos é uma medida clínica criteriosa, indicada quando há necessidade de remover ou prevenir o acúmulo de fluidos (como sangue, exsudato inflamatório ou secreções) que possam comprometer a recuperação cirúrgica. Eles não são parte de todos os procedimentos, mas sim ferramentas específicas para determinadas situações clínicas em que o controle da drenagem é essencial para a cicatrização e a prevenção de complicações.

A função principal do dreno é evitar a formação de coleções líquidas que possam se tornar um meio ideal para proliferação bacteriana, resultando em abscessos ou deiscência da ferida. Também promovem a aposição dos tecidos, reduzem a tensão e auxiliam no monitoramento da evolução pós-operatória, uma vez que alterações na qualidade ou volume do fluido drenado podem sinalizar complicações precoces.

As indicações clássicas para o uso de drenos incluem cirurgias com risco elevado de formação de seroma ou hematoma, infecções com abscessos drenados cirurgicamente, lesões com destruição extensa de tecido subcutâneo, mordeduras com trajetos profundos e irregulares, regiões submetidas a grande mobilidade ou tensão (como regiões axilar e medial da coxa), entre outras.

Existem diferentes tipos de drenos (dreno de Penrose (passivo), dreno de Jackson-Pratt (ativo) ou tubos torácicos) e a escolha entre eles depende tanto do tipo de fluido a ser removido quanto da região anatômica envolvida. Drenos passivos dependem da gravidade e da pressão capilar para escoar o fluido, enquanto os ativos utilizam sucção controlada. Cada sistema possui vantagens e limitações e o cirurgião deve avaliar caso a caso.

A presença de um dreno não é isenta de riscos. Além do potencial desconforto para o paciente, eles podem se tornar vias de entrada para infecções ascendentes e causar irritação local se permanecerem por tempo prolongado. Por isso, sua permanência deve ser limitada ao período estritamente necessário, geralmente de 2 a 5 dias, ou até que a drenagem se torne mínima e serosa.

A decisão de utilizar um dreno está diretamente relacionada ao conhecimento anatômico da região cirúrgica e ao planejamento do pós-operatório. Inserir um dreno de maneira incorreta, sem respeitar os planos anatômicos de drenagem ou sem considerar o posicionamento gravitacional do paciente, pode comprometer sua eficácia e aumentar os riscos. Por isso, o conhecimento anatômico associado à técnica adequada de colocação e manejo é fundamental para garantir a eficácia e a segurança no uso de drenos.

Em síntese, os drenos são instrumentos valiosos na cirurgia veterinária quando bem indicados. Eles desempenham papel preventivo e terapêutico, desde que seu uso seja fundamentado por avaliação criteriosa, técnica adequada de colocação e monitoramento pós-operatório rigoroso. O uso indiscriminado ou prolongado pode, ao contrário, aumentar o risco de infecção e retardar a cicatrização. Assim, os critérios clínico e o conhecimento anatômico devem guiar cada decisão sobre o uso desse recurso.

Referência bibliográfica :

TOBIAS, K. M.; JOHNSTON, S. A. Veterinary Surgery: Small Animal. 2. ed. Elsevier, 2012.

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